Mais um sábado à noite perdida entre uma multidão de desconhecidos. Com uma bebida alcoólica não identificada em uma mão e um cigarro na outra, a garota cambaleava pelo salão. As luzes estroboscópicas cegavam por alguns momentos e a música ensurdecedora amortecia seus sentidos. Já era pra lá da meia-noite, não conseguia mais enxergar os tremidos ponteiros de seu relógio cor-de-rosa. Tropeçou em um ser anônimo, caiu. Ele a ajudou a levantar, extremamente galanteador. Mais um gole da bebida ardente desceu por sua garganta. O salão girou mais uma vez a sua volta, a última memória que restaria em sua mente. Tremeu dos pés à cabeça, caiu novamente. As luzes da festa se apagaram. O brilho de seus olhos se apagariam para sempre.
Voltou à consciência com os próprios gritos abafados contra uma mão áspera. Mãos deslizantes, pernas para o alto, socos no ar, lágrimas em todos os corpos, apertões descabidos, suor entrelaçando os dois seres, medo. O quarto com paredes amarelas enjoava a menina. Ela se perguntava o porquê daquilo em meio aos próprios berros. Não sabia onde estava, na realidade não saberia responder em que lugares estivera nos últimos sábados daquele ano. Desistiu de lutar contra aquele destino desgraçado.
Alguns eternos minutos depois, após grande barulho e movimentação, a dor acabou. Ela abriu os olhos, uma sombra ia embora no fim do corredor. Tentou se levantar do colchão sujo com suas próprias lembranças tristes, não teve forças. Restou uma bela menina estatelada no quarto daquele hotel não identificado. Sozinha para sempre, abandonada como Cinderella depois da meia-noite. Não havia esquecido o sapato de cristal na festa, mas sim sua paz de espírito para todo o resto de sua vida.
isso era pra representar um estupro? sem sentido, sem emoção
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